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Muitos já sabem que a City tem esse papo de Mixologia Cultural. Poderia ser um nomezinho metido, uma bossa de linguagem, um truquezinho. Mas não é por aí.

A City se entende na indústria da criatividade. Estamos conectados a outras empresas, para quem trabalhamos, e as que trabalham para a City. Somos parte de cadeias de valor de economias formadas por produtos intelectuais. É por isso que nos apoiamos na “Mixologia Cultural”. Trata-se do nome que demos para o esforço sistemático de uma empresa, a City, de organizar conceitualmente seu processo de geração de valor. A Mixologia Cultural orienta a ação para a geração de um produto criativo.

A expressão vem da “Mixology”, a arte de preparar drinks. Um bom mixólogo tem um vasto repertório, conhece muito bem a matéria-prima, os fundamentos das combinações, e passa o tempo todo experimentando novas possibilidades. Fazendo isso 8 horas por dia, com muita paixão, ao longo dos anos, o mixólogo acaba se transformando em um ótimo agente de inovação, sendo ao mesmo tempo atual e ligado na trajetória da sua arte.

A Mixologia Cutural é a arte de experimentar com as substâncias da cultura. Assim como na mixologia com produtos físicos, a equipe da City parte de um profundo conhecimento técnico acerca da estrutura dos sistemas sociais, e experimenta novas combinações com as matérias-primas que vai encontrando em cada sistema social que estuda. Nosso trabalho está baseado em um vasto repertório de prática executiva, aliado a uma formação que combina sociologia aplicada e humanidades. Graças a essa rara combinação, a City fornece serviços de alto impacto nas decisões de seus clientes.

Os princípios da Mixologia Cultural:

MixologiaCultural_Principios

O repertório treina o olhar – Para ter um olhar diferente sobre as coisas, é preciso ter repertório. Isso significa experimentar olhares diferentes. Como um arqueólogo vê o mundo? Qual a perspectiva de um executivo em uma empresa? O que define o interesse de um cientista? Por que um artista dedica sua vida à experimentação de novas linguagens? Um mixólogo da cultura deve se permitir entrar em diferentes universos, e reconhecer as lógicas dessas atividades como legitimamente humanas, justificadas por um esforço verdadeiro de dar sentido à sua trajetória. Um objeto da cultura está ligado a uma atividade humana. O repertório da mixologia cultural é construído com base na disposição de se deixar levar pelas diferentes perspectivas de diferentes pessoas. Cada perspectiva é um sistema, com suas regras de operação, e estratégias de reprodução. O aperfeiçoamento ou a criação de um novo sistema serão possíveis com um amplo conhecimento dos sistemas sociais em que as pessoas constroem o sentido de suas vidas.

O novo está no desconhecido – No seu trabalho, o mixólogo cultural pratica um exercício constante de zeramento do seu conhecimento. Sempre que formamos a consciência de que temos um conhecimento, estamos fechando as possibilidades de chegar a um novo lugar. Por isso, as coisas que não fazem sentido são as grandes fontes da inovação. É para lá que devemos dirigir nossa atenção. Um projeto de mixologia cultural, em alguma fase, dará abertura para temas que não estão relacionados diretamente ao que ele está investigando. Uma pessoa, um grupo, uma publicação, ou mesmo um lugar, se forem captados no radar da sensibilidade do mixólogo como sendo um ruído, como um conteúdo não alinhado ao tema, é nesse momento que devem ser aproveitados como parte do processo. As recombinações resultam do entendimento da falta de alinhamento entre uma coisa e outra.

As substâncias culturais são invisíveis – Um mixólogo cultural sabe que o que está visível não explica o que ele quer descobrir. As coisas que se apresentam ao olhar são formas materiais de um processo subterrâneo. Uma peça de confecção, o design de um equipamento, ou a textura de um alimento, são todos materializações de substâncias intangíveis. Explicar comportamentos humanos apontando para a forma que eles assumem traz pouco ou quase nenhum efeito. Quando faz isso, um analista é levado a crer que o comportamento de hoje é diferente de outra época, ou que os jovens são diferentes das pessoas mais velhas. Se fosse assim, não poderíamos viver em sociedade, não poderíamos ter comunicação entre as pessoas. Para um mixólogo cultural as substâncias da cultura são constantes, mas ganham formas diferentes, porque o que muda são as condições onde elas se transformam em coisas. O mixólogo cultural observa atentamente as condições nas quais as substâncias da cultura ganham forma. E é o conhecimento aguçado dessas condições, e seus padrões, que lhe dá grande poder de explicar, não só quais são as formas da cultura, mas, principalmente, o que está produzindo essas formas. Um mixólogo cultural não é um caçador de tendências, mas um colecionador dos contextos de organização da cultura. Ao reconhecer a formação de um novo contexto, já reconhece os caminhos que a cultura poderá seguir.

A cultura trabalha contra o mixólogo – A cultura teme o mixólogo cultural. Quando a cultura define as suas formas, trabalha para proteger a sua criação. Sua proteção é astuta, e tenta seduzir quem a está analisando para que adote as formas que criou e se transforme em um agente da sua perpetuação. Um mixólogo cultural perde o seu poder sobre a cultura quando a adota, quando se reveste dos seus códigos e reproduz o seu sistema de significados. Analistas do fenômeno cultural que se tornam expressões da própria cultura transformam-se em promotores daquilo que eles deveriam estar movimentando. Um mixólogo cultural está sempre se dirigindo para fora do sistema da cultura. Trata-se de um esforço constante de observá-la e ao mesmo tempo se distanciar dela, como um nômade, um andarilho que está sempre querendo voltar para casa, mas sempre muito longe de uma casa.

O mixólogo não é dono do seu trabalho – O trabalho do mixólogo cultural não produz algo que ele possa guardar para si mesmo. Para um trabalho que consiste em colocar coisas em movimento, é preciso que outras pessoas sejam movimentadas pelo que ele está produzindo. Suas recombinações terão sentido se puderem ser degustadas por outras pessoas. O trabalho da mixologia cultural ganha sentido apenas quando provoca imaginações nas mentes de quem deseja acessar seu trabalho. Logo, o que a mixologia cultural produz só pode ser reconhecido naquilo que outras pessoas farão com o que o mixólogo cultural está produzindo. A mixologia cultural produz uma cadeia de imaginações. E essas imaginações serão capazes de modificar as formas que a cultura assume. Nesse sentido, o mixólogo cultural tem sucesso no seu trabalho apenas quando leva grupos de pessoas a se distanciarem da sua cultura, abrindo espaços para o surgimento de novas formas da cultura. A mixologia cultural abre fissuras em sistemas culturais estabelecidos, e desencadeia novas possibilidades de atuação sobre a realidade.

Sim, lembra um design thinking. Mas tem uma pegada de assunto, de conteúdo. O objetivo é que nos conecte diretamente com as práticas de antropologia, e da arqueologia. E é muito legal praticar.

Vem junto!

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